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LEWIS

Por

Ana Filipa Luzia

Publicado em

November 12, 2014

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Comunicação

Vou acabar este artigo a dizer que a comunicação é como os taninos. Não acreditam? Leiam só. A verdade é que o mundo arrancava 2014 com aquilo que considero uma excelente notícia: bebe-se mais vinho do que nunca. Não, isto não acontece porque estamos todos num abismo de consumo excessivo de álcool! Acontece, felizmente, como resultado de um longo e árduo trabalho de educação, sensibilização e… comunicação. 

O que me leva a querer recuperar estes números como um bom exemplo de trabalho numa área que pode nem sempre ser fácil e também a dizer que quando se pensa que já se comunicou tudo, há sempre um novo ângulo. Não falo portanto de um maior volume de comunicação, mas sim boa comunicação, com sentido.

Ponto número um: gradualmente começámos a ver o espaço de garrafeira dos supermercados a aumentar, as publicidades de rua a aparecer mais frequentemente e assistimos a um culto de feiras e eventos, além das provas nas tradicionais garrafeiras de rua ou a simples apreciação de um bom copo de vinho num fim-de-tarde na esplanada.
Lá fora, o vinho português começa a ser uma das agradáveis surpresas do “Velho Mundo”, a experimentar e a não perder. Esta é a prova de que o público está mais informado e, em simultâneo, que o vinho é uma forma de estar mais social, exigindo informação detalhada e gerando enorme curiosidade técnica (aromas, sabores, harmonizações gastronómicas, entre outros).

Ponto número dois: a capacidade de apreciação foi democratizada e consumidores – hoje de todas as idades, com uma agradável incidência sobre gente cada vez mais jovem – sabe que há grandes vinhos que merece a pena provar, mas que também há excelentes exemplares a cinco euros.

E se na realidade estes últimos são os preços praticados em 80% do mercado, isto significa que existe aqui um ainda grande desafio em termos de comunicação que se prende em como comunicar e com quem comunicar.

Estes dois pontos resumem bastante a realidade que se vive e o primeiro passo para que a comunicação seja bem-sucedida é não pensar somente nas feiras e prémios. Certo que também é preciso enaltecer estes feitos e os PR’s continuam a ser uma das ferramentas da comunicação por excelência, mas toda a experiência do vinho é muito sensorial. Como tal, merece que se conte a história com toda a pompa e circunstância (storytelling) utilizando, por exemplo, vídeo ou um blog corporativo.

Mas não se trata de inventar (muito menos relativamente a um vinho, cuja prova repõe imediatamente a verdade dos factos), trata-se antes de contar uma história honesta mas de uma forma envolvente e convincente.

Parceiros, consumidores e jornalistas têm pouco tempo a perder, mas com certeza gostarão de uma história real que lhes ponha um sorriso nos lábios ou os faça pensar em determinado ponto de vista que lhes poderá passar despercebido na correria do dia-a-dia. O consumidor também gostará.

A minha querida Jancis Robinson – maior crítica de vinhos a nível mundial e que tive o prazer de conhecer – dizia que “a maturidade e gestão dos taninos é tão importante como o real nível de taninos”. Eu arrisco-me aqui a pegar nesta sua sábia frase e… dizer que a comunicação é como os taninos: mais do que o seu nível real, interessa a sua maturidade e a forma como é gerida e realizada.

Leia também Comunicar com Taninos – Parte 2.

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