Por

Inês Barbosa

Publicado em

Dezembro 22, 2025

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Comunicação, energia

O legado da crise energética de 2022-2023 é ainda bem real – embora os preços estejam agora mais estáveis, mas ainda assim elevados, as crescentes pressões geopolíticas e climáticas continuam a aumentar e a influenciar todas as decisões.


Os preços da eletricidade para os consumidores residenciais na UE mantiveram-se relativamente estáveis ​​em 2025, mas para os consumidores não residenciais, os custos continuam a ser uma preocupação significativa. Isto significa que a acessibilidade, a volatilidade e o abastecimento seguro vão continuar a dominar as discussões sobre energia com clientes, investidores e decisores políticos em 2026.

Para as empresas de toda a cadeia de valor da energia, desde as concessionárias aos promotores de energias renováveis ​​até aos comerciantes e operadores de infraestruturas, este contexto não é ruído de fundo; é essencial para os negócios. Influencia os modelos de receita, as decisões de investimento, a retenção de clientes e até o direito de operar. Com o endurecimento das regulamentações da UE sobre as políticas ambientais e o aumento da rigidez das regras de comunicação ESG, 2026 exige estratégias de comunicação mais claras e fiáveis, que encontrem o equilíbrio certo entre as realidades empresariais e as expectativas das partes interessadas.

Custos da energia e volatilidade: a clareza é fundamental

Os preços da energia diminuíram em relação aos picos de 2022 até 2025, mas mantiveram-se muito acima das médias históricas. Em 2024, o preço médio da eletricidade na UE para utilizadores não residenciais rondou os 0,16 euros por kWh. Portanto, embora tenha havido alguma estabilização, a volatilidade não vai desaparecer. A dependência dos combustíveis fósseis, as flutuações nos preços do carbono e as limitações da rede continuam a manter os mercados em alerta.

Isto significa que as empresas de energia precisam de ser transparentes nas suas mensagens. Explicar e justificar o “porquê” por detrás das estruturas tarifárias, das escolhas de aquisição ou das estratégias de cobertura, utilizando dados reais e análise de cenários, será crucial. Clientes e investidores procuram previsibilidade e transparência. As empresas que priorizam os factos, e não a manipulação, vão construir uma maior confiança e relações mais fortes a longo prazo.

ESG e descarbonização: mostrar, não apenas falar

As empresas de energia são fundamentais para a descarbonização global, contribuindo diretamente para as emissões de âmbito 1 e 2, além de influenciarem os impactos subsequentes de âmbito 3. Mesmo com o crescimento das energias renováveis, muitas redes ainda dependem de fontes de energia fóssil como reserva. O sector precisa de descarbonizar mais rapidamente para se manter no caminho certo para as metas de 2030, ao mesmo tempo que continua a comunicar a necessidade e os benefícios do investimento na descarbonização aos consumidores, à economia e ao ambiente.

De acordo com os relatórios ESG da UE e a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD), as empresas terão de apresentar dados verificados e detalhados sobre reduções de emissões, implantação de energias renováveis ​​e planos de transição. Os stakeholders já não se contentam com metas ou compromissos ambiciosos – querem provas de progresso. Os melhores comunicadores vão ligar estas métricas a benefícios tangíveis: faturas de eletricidade mais baixas, fornecimento de energia verde fiável, metas energéticas nacionais, entre outros. Se for feito corretamente, isto pode posicionar uma marca não apenas como participante na transição, mas como uma verdadeira facilitadora.

A comunicação no setor energético estará sob maior escrutínio em 2026, dado que as diretivas da UE sobre políticas ambientais estão a mudar o jogo, proibindo termos vagos ou sem fundamento, como “energia verde” ou “emissões zero”, a menos que sejam apoiados por provas do ciclo de vida e parâmetros de referência comparáveis. Qualquer discrepância entre o marketing e a realidade mensurável representa um risco: multas, processos judiciais e reações negativas do público.

As ONG, os reguladores e os meios de comunicação social estão a acompanhar de perto, especialmente no que diz respeito a contratos de compra de energia, dependências de compensação de carbono ou promessas demasiado optimistas de emissões zero. Isto é particularmente verdade para as empresas que ainda dependem do gás ou do carvão como combustíveis de transição.

A principal conclusão? Seja honesto. Partilhe os desafios. Concentre-se nos marcos reais. Fundamente cada afirmação com dados. É isso que irá diferenciar os líderes de confiança daqueles que apenas tentam cumprir requisitos.

Conte a sua história no setor energético

Relembrando a famosa frase de Marshall McLuhan de que “o meio é a mensagem”, em 2026, a sua estratégia energética é a sua história. Os líderes de comunicação bem-sucedidos elevaram a sua estratégia ao centro da sua marca, ligando os pontos entre os custos, o progresso em ESG e a dinâmica do mercado de uma forma que ressoe com todos os grupos de stakeholders.

Os comunicadores do setor energético priorizam:

  • Narrativas baseadas em evidências: Sejam elas sobre tarifas, investimentos em energias renováveis, redução de emissões ou soluções orientadas para o cliente, as narrativas vão ajudar a construir confiança e a combater a desinformação.
  • Consistência: Do seu website às conversas com investidores, dos relatórios ESG à publicidade, as mensagens devem estar alinhadas com dados auditados de fontes fidedignas, como a AIE (Agência Internacional de Energia), o Eurostat ou as entidades reguladoras nacionais.
  • Elimine os silos: Trabalhe em conjunto com as equipas jurídicas, de sustentabilidade e comerciais para antecipar e abordar as questões difíceis sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, o aumento dos preços ou os estrangulamentos na rede elétrica. Estes momentos de tensão podem ser transformados em oportunidades para demonstrar uma liderança responsável, se forem geridos de forma transparente e estratégica.

O futuro das empresas de energia é complexo, com custos, ESG e reputação mais interligados do que nunca. Neste cenário, uma comunicação de excelência não é apenas desejável, mas sim essencial para a estratégia.


Na TEAM LEWIS, ajudamos as marcas do setor energético a transformar a complexidade em clareza e a ambição em ação. Seja para lidar com mudanças regulamentares, lançar novas soluções ou construir confiança com os stakeholders, estamos aqui para ajudar a criar narrativas que fazem a diferença. Vamos conversar, liderar e moldar a transição energética?