Por

TEAM LEWIS

Publicado em

Setembro 17, 2025

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AI, AIO

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    Algo novo está a acontecer no mundo dos motores de busca. Chatbots com inteligência artificial, tais como o ChatGPT, Claude ou Perplexity, funcionam de forma diferente do Google e não se limitam a procurar por palavras-chave. Utilizando modelos de dados complexos é possível manter uma conversa, escrever poesia ou até letras de músicas numa questão de segundos. A maioria das empresas ainda não está preparada para esta nova realidade. Abaixo vamos explicar como a sua empresa pode aparecer nas respostas geradas por IA.


    A batalha pela visibilidade das marcas

    Numa era em que a inteligência artificial é cada vez mais relevante, estão a surgir diversos motores de busca que a utilizam a seu favor, tais como, o SearchGPT, Perplexity, Google Gemini e o novo concorrente chinês DeepSeek. Até ao final de 2025 a Google planeia investir 75 mil milhões de dólares em IA e, por sua vez, o Perplexity atingiu as 100 milhões de pesquisas semanais em 2024.

    Perante estes dados, podemos concluir que as plataformas de IA estão lentamente a tornar-se o novo campo de batalha para a visibilidade das marcas. Embora muitos dos princípios de marketing continuem válidos (a importância do branding e das relações públicas são apenas alguns), existem diferenças críticas. Como tornar a sua marca visível nestas ferramentas é o que vamos analisar.

    Share of Model: o novo KPI para a visibilidade de marca em IA

    Uma novidade é o conceito de “Share of Model” (SOM) – uma métrica que mede com que frequência uma marca aparece em respostas geradas por IA. Basicamente é o equivalente ao “share of voice”, mas neste são avaliadas quantas vezes os LLMs, como o ChatGPT, mencionam uma marca em comparação com os seus concorrentes.

    Como tornar a sua marca visível na IA?

    1. Publicidade paga em plataformas de IA

    Sim, já é mesmo possível às empresas anunciar em motores de busca baseados em IA – e o Perplexity está na dianteira. Em novembro de 2024, a plataforma lançou questões patrocinadas e espaços de media paga e marcas como a Indeed e a Whole Foods aproveitaram para promover conteúdos em respostas geradas por IA. Excusado será dizer que estes anúncios estão claramente assinalados como “sponsored”, garantindo total transparência.

    Outros grandes players, como a Meta e a Tencent, também já desenvolveram formatos de publicidade com IA para aumentar a interação com utilizadores e, ao mesmo tempo, aumentar as receitas. A OpenAI está atualmente a explorar a possibilidade e viabilidade de introduzir anúncios dentro do ChatGPT.

    À medida que a publicidade nas plataforma de IA cresce, vão começar a surgir questões sobre a experiência do utilizador, privacidade e outros, mas isso será um tema a acompanhar de perto.

    2. Visibilidade orgânica em IA

    2.1. O novo papel das relações públicas

    Os modelos de IA recorrem muitas vezes a fontes confiáveis, como sites de notícias, blogs, relatórios de investigação ou websites governamentais e académicos.

    A IA privilegia conteúdos de marcas que aparecem em sites de elevada autoridade. Quer que o ChatGPT ou o Perplexity mencionem a sua marca com mais frequência? Uma estratégia forte de RP é essencial. Quanto mais vezes a sua marca aparecer em artigos de renome, notícias, blogs e redes sociais, maior será a probabilidade de ser incluída em respostas geradas por IA.

    Pense na IA como uma grande bibliotecária que só recomenda os livros (a informação) que conhece. Se a sua marca não estiver nesses “livros” (artigos, notícias, websites), a IA não a irá mencionar. Um bom acompanhamento e estratégia de relações públicas garante que a IA vê, memoriza e integra a sua marca nas respostas quando alguém coloca uma questão relevante.

    2.2. O SEO continua a ser fundamental

    Para a sua marca ser mencionada com mais frequência pelas plataformas de IA, o SEO (Search Engine Optimization) continua a ser tão importante quanto as RP. Para um site estar colocado no topo dos resultados de pesquisa é porque compre uma série de requisitos de qualidade, portanto os modelos de IA extraem sobretudo informação de websites que estão no topo dos rankings. Embora com poucas certezas absolutas pois a tecnologia ainda é recente, segundo uma investigação, esta mostrou que a IA utiliza frequentemente os 20 primeiros resultados da Google como fonte. Se o seu site não estiver otimizado e tiver fraca performance em palavras-chave relevantes, a probabilidade de ser usado pela IA diminui.

    Para aumentar as suas hipóteses, siga alguns princípios básicos:

    • Otimize para as palavras-chave relevantes dentro do seu setor.
    • Crie conteúdo aprofundado e de qualidade que a Google valorize.
    • Estabeleça parcerias para gerar backlinks de fontes confiáveis.
    • Garanta páginas mobile-friendly, rápidas e alinhadas com as boas práticas dos motores de busca.
    2.3. Publicar conteúdo de qualidade e “AI-friendly”

    A IA funciona como alguém com um caderno pequeno, onde só cabe um número limitado de palavras: os tokens. Ao percorrer milhares de páginas, a IA seleciona apenas as partes mais relevantes que cabem nesse caderno. Quanto maior o caderno, mais detalhes consegue guardar, mas mesmo assim tem de escolher de forma “inteligente” o que realmente importa. Ferramentas como o Tokenizer Playground ajudam a perceber como o texto é “tokenizado”.

    Devido a estas limitações, a forma como apresenta o seu conteúdo é crucial para que as plataformas de IA o consigam aproveitar. Soluções como o SearchAttention permitem visualizar de que forma a IA lê o seu conteúdo. Com recurso a um heatmap podemos ver as partes do texto que são mais relevantes: as zonas a verde as mais importantes, enquanto que as outras, sem cor, são ignoradas.

    3. Caso prático: otimização de conteúdo para IA

    Analisámos o blog The Weekday Pescatarian, uma plataforma online de receitas de peixe, para perceber como torná-lo mais “amigo da IA”. O objetivo? Aumentar a visibilidade e relevância em motores de busca IA. O foco foi na melhoria dos dados estruturados (schema markups), otimização de palavras-chave e formatação de conteúdo para respostas geradas por IA.

    3.1. Antes da otimização

    O scan inicial revelou dois pontos: a IA concentra-se sobretudo no primeiro parágrafo e, por vezes, ignora secções inteiras de um artigo.

    3.2. Depois da otimização

    Para tornar o conteúdo mais relevante para a IA, removemos informação redundante e demos uma resposta mais direta à pesquisa logo no primeiro parágrafo. Melhorámos a estrutura com títulos claros e incluímos bullet points, tornando o texto mais fácil de processar.

    Também destacámos palavras importantes a negrito, adicionámos estatísticas e dados e criámos ligações internas. Por fim, ligámos um dashboard de tracking de LLM ao Google Analytics para medir quantas vezes os posts otimizados eram referidos em plataformas de IA. O resultado foi um aumento significativo da visibilidade destes conteúdos.

    Conclusão

    As plataformas de IA funcionam de forma diferente do Google: não classificam os websites, mas extraem a informação de fontes de confiança e de elevada autoridade. Para aparecer de forma orgânica em respostas de IA, é necessária uma combinação de relações públicas, SEO e conteúdos AI-friendly:

    • O SEO melhora o ranking e aumenta a probabilidade de ser encontrado.
    • As relações públicas geram menções nos meios relevantes.
    • O conteúdo AI-friendly facilita a compreensão e citação por parte dos modelos.

    Quanto melhor o ranking, mais vezes a sua marca é mencionada; quanto mais confiável a fonte, maior a probabilidade de aparecer em respostas geradas por IA.

    Rui Pinto

    O Rui é Diretor de SEO na TEAM LEWIS e ajuda as marcas a reforçar a sua visibilidade orgânica, a melhorar o seu posicionamento e a gerar tráfego qualificado através de estratégias orientadas por dados.

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