Antes de entrarmos em 2026, e para dar algum contexto ao conteúdo que vamos abordar, há que enquadrar o panorama digital em Portugal. O país continua a evoluir a um ritmo acelerado e segundo o site Datareportal, em 2025, Portugal regista cerca de:
- 14 milhões de ligações móveis ativas, um número que representa 135% da população total. Um indicador claro do quão importantes são os dispositivos móveis no dia-a-dia dos portugueses;
- 9,27 milhões de pessoas com utilização regular da internet, o que corresponde a uma taxa de penetração online de 89%;
- 7,49 milhões de utilizadores ativos nas redes sociais em janeiro de 2025, ou seja, cerca de 72% da população.
Todos estes valores traçam um retrato sólido do “estado digital” do país e demonstram como a conectividade e os comportamentos online se tornaram uma parte essencial da realidade portuguesa.

Por todos estes motivos, vamos certamente entrar em 2026 com um mercado digital repleto de novas oportunidades. As marcas vão ter de acompanhar esta evolução, ajustando as suas estratégias e explorando as tendências que vão moldar o marketing digital no próximo ano.
Conteúdo
- Inteligência Artificial aplicada ao marketing
- Privacidade de dados e personalização
- Formatos curtos de vídeo – Tiktok, Shorts, Reels
- Sustentabilidade, propósito e responsabilidade social
- Realidade Aumentada e Realidade Virtual
- Automação e Publicidade gerada por IA
- Otimização SEO e LLMs
- Transparência, ética e (combate à) desinformação
8 Tendências de Marketing Digital para 2026
1. Inteligência Artificial aplicada ao marketing
A Inteligência Artificial deixou de ser um apoio pontual e, em 2025, já começou a estabelecer-se como uma peça central nas estratégias de marketing. Segundo o último relatório da Gartner, a inteligência artificial generativa é a grande tecnologia emergente da atualidade. O impacto é evidente e a IA já não se limita a responder a questões ou a automatizar tarefas: ajuda a prever tendências futuras, antecipa necessidades, resolve problemas e gera insights em tempo real
As campanhas tornam-se mais rápidas de produzir, são mais precisas e mais fáceis de escalar.
Mas isso também irá elevar a fasquia para as marcas. A maioria das ferramentas disponíveis são gratuitas ou têm um custo não muito elevado, o que faz com que todos possam possam ter acesso às mesmas ferramentas. A diferença será criada não pela tecnologia, mas sim pela criatividade humana que lhe dá uma direção. A IA oferece velocidade e (muita) capacidade de trabalho, mas a visão estratégica continua a estar do nosso lado – os humanos.

Para tirar partido desta evolução, as marcas necessitam de começar já a identificar onde a IA pode entrar no seu fluxo diário de trabalho. No entanto, é também necessário não nos esquecermos da qualidade dos dados. Seja na criação de conteúdos, na segmentação de audiências ou na previsão de resultados, a qualidade dos dados é essencial.
Qualquer sistema “inteligente” só funciona bem quando alimentado com informação fiável. E, apesar da automação crescente, a supervisão humana continua a ser indispensável para garantir que o conteúdo mantém identidade, rigor e propósito. A IA é a nova colega especialista em marketing que adora produzir e otimizar o seu trabalho, tudo sem reclamar. Porém, serão as equipas que conseguirem equilibrar bem estes dois mundos – o da automação e o humano – que estarão melhor preparadas para o marketing digital de 2026.
2. Privacidade de dados e personalização
A relação entre a privacidade e a personalização vai marcar o marketing em 2026. Os utilizadores querem conteúdos mais relevantes e adaptados aos seus gostos, mas rejeitam práticas pouco transparentes.
As marcas devem personalizar, mas sem invadir. E é aqui que entra a first-party data.
Se não está familiarizado com o termo, first-party data são todos os dados que uma empresa recolhe diretamente do seu público através de canais próprios, como websites, aplicações e e-mail. Estes dados são recolhidos com o consentimento do cliente e incluem detalhes como o comportamento no website, o histórico de compras, informações de contacto e respostas a inquéritos. E isto é importante? Muito!
Este dados são extremamente valiosos porque são precisos, fiáveis, estão em conformidade com as leis de privacidade e podem ser utilizados para personalizar as experiências do cliente, segmentar o público e melhorar o desempenho das campanhas.

A Amazon utiliza a personalização através do seu sistema de recomendação baseado em inteligência artificial, que fornece sugestões de produtos com base no histórico de navegação e compras.
Em 2026, os utilizadores vão, e bem, exigir mais responsabilidade na forma como os dados são recolhidos e usados. E este equilíbrio torna-se decisivo. Quem falhar na transparência arrisca perder a confiança do seu público. E confiança, num mercado saturado, é um fator de diferenciação tão importante quanto o preço ou a qualidade.
O caminho passa por trabalhar com dados bem organizados, com consentimentos claros e com processos que respeitem o utilizador. As marcas precisam de explicar o que recolhem e porque recolhem, e de que forma isso melhora a experiência no geral. Ao fazê-lo, reforçam autoridade e mitigam eventuais desconfianças.
3. Formatos curtos de vídeo – Tiktok, Shorts, Reels
Os formatos curtos continuam a dominar a atenção dos utilizadores e, em 2026, vão continuar a reforçar esse papel. Plataformas como o TikTok, Instagram (Reels) ou YouTube (Shorts) já não servem apenas para entretenimento rápido e horas de scroll interminável. Tornaram-se espaços de descoberta e de influência. O formato de vídeo curto está a atravessar todo o funil: desde o primeiro contacto até à conversão.
E este comportamento tem origem no que já mencionámos anteriormente:
“Portugal regista cerca de 14 milhões de ligações móveis ativas, um número que representa 135% da população total.”
O formato mobile privilegia o conteúdo imediato e dinâmico. E embora ainda resultem em alguns segmentos de mercado, já não basta recortar vídeos longos em muitos mini-segmentos. É necessário pensar de forma estratégica para impactar o seu público e adotar uma mensagem direta, narrativas curtas e uma chamada para a ação que seja clara.

Por fim, a tendência para vídeos que incluem etiquetas de produto ou links integrados vai continuar a crescer, aproximando a descoberta da compra. Quanto mais simples for passar pelo funil, maior o impacto.
4. Sustentabilidade, propósito e responsabilidade social
A sustentabilidade e o propósito continuam a ganhar espaço na comunicação digital. E que não se pense que assumir compromissos publicamente, seja nos meios ou pela via digital, é suficiente. Há que demonstrar coerência entre o que é dito e o que é praticado. Os utilizadores, sobretudo os mais jovens, são sensíveis a marcas que tenham os seus valores bem definidos e, mais do que qualquer outra geração, estão atentos aos sinais de superficialidade.
Segundo um estudo recente publicado no Journal of International Consumer Marketing, a autenticidade será um dos critérios mais importantes para avaliar marcas e que “se a marca é verdadeira, coerente, transparente, então ganha vantagem competitiva”.
Todo este movimento exige consistência. Se não forem partilhadas históricas com impacto real, se os dados não forem concretos ou se as abordagens soarem a vagas, tudo isso vai parecer “greenwashing”. O propósito deve ser integrado na estratégia global e não apenas divulgado em momentos oportunos. A responsabilidade social passa, assim, de tema periférico a pilar fundamental da estratégia de comunicação.
5. Realidade Aumentada e Realidade Virtual
Já podemos dizer que Realidade Aumentada (RA) e a Realidade Virtual(RV) estão numa fase de maturidade. Até há pouco tempo, estas duas tecnologias eram utilizadas sobretudo em experiências isoladas ou em iniciativas experimentais. Mas isso está a mudar. A adoção da RA e de RV está a crescer e está a tornar-se numa ferramenta poderosa no marketing, criando experiências imersivas em sectores como o retalho, turismo, moda e automóvel.

A PepsiCo e a VMLY&R Shanghai desenvolveram mini apps para o WeChat e TikTok que permitiam aos utilizadores usar qualquer superfície azul, como uma lata de Pepsi, como um ecrã de realidade aumentada.
O potencial para o marketing é vasto. A Realidade Aumentada permitirá que os clientes interajam com os produtos de formas totalmente novas, como experimentar roupas virtualmente, visualizar móveis nas suas casas ou fazer demonstrações imersivas de produtos. A Amazon tem sido uma grande impulsionadora desta tecnologia e permite-nos escolher peças e decorar a casa com a ajuda da RA.
Para as marcas, o desafio reside em identificar onde estas tecnologias acrescentam valor, e não apenas onde “brilham” visualmente. Recorrer à RA ou à RV só faz sentido quando melhoramos a experiência do utilizador, resolvemos um problema ou criamos uma memória relevante.
6. Automação e Publicidade gerada por IA
A publicidade gerada por IA vai transformar a forma como campanhas são criadas, otimizadas e distribuídas. Empresas como a Meta já anunciaram planos para automatizar totalmente o processo criativo até 2026. Isto inclui gerar anúncios, testar variações e ajustar estratégias de forma contínua, sem intervenção humana constante.

“É assim que o ketchup se parece para a IA.”
Esta evolução não significa que a criatividade humana será dispensável. Aliás, este é (por agora?) um dos grandes trunfos dos humanos e que a IA ainda não consegue igualar. A IA amplia possibilidades e reduz custos, mas cabe às equipas definir a direção, controlar a identidade e assegurar que o conteúdo reflete o sentimento e as intenções da marca.
O papel humano passa de executor para curador.
A eficiência aumenta, mas também a responsabilidade. As equipas que dominarem esta combinação entre automação e curadoria vão estar em vantagem competitiva.
7. Otimização SEO e LLMs
A inteligência artificial está em todo o lado e as marcas já começaram a sofrer os seus efeitos com uma redução no tráfego mensal para o seu website. O facto de termos acesso a respostas rápidas no topo do Google ou até pelo facto de cada vez mais pessoas utilizarem o ChatGPT, Perplexity e outras ferramentas, faz com que, em muitos casos, não seja necessário visitarem um website para saberem a resposta ao que procuram.
Mas vamos ser claros: para a grande maioria das empresas, o bom e velho Google ainda é a fonte principal de tráfego.
Tendo isso em conta, o primeiro conselho é para não entrar em pânico e o segundo é para não se esquecer do primeiro 😊
Tal como acontece com todas as mudanças no mundo do SEO, não existem soluções rápidas para reverter as quebras de tráfego. E claro, tenha muita cautela com as promessas de resultados rápidos.

É necessária uma mudança de mentalidade para a nova forma de fazer as coisas, com foco em quatro áreas principais:
- Alterar os KPIs: priorize a visibilidade na página de resultados Google (não apenas a presença no Top 10, mas estar presente nos atalhos para vídeos/imagens, nas FAQ’s, etc.), a procura pela marca, as conversões assistidas e a atribuição de receitas. Será muito difícil manter uma estratégia sólida se estiver apenas a olhar para cliques e palavras-chave.
- Praticar o AEO/GEO/AIO não é esquecer o SEO: chame-lhe “Artificial Engine Optimisation”, “Generative Engine Optimisation” ou “Artificial Intelligence Optimisation”, não importa. O importante é reconhecer que a IA vai afetar o SEO, não com grandes novidades e metodologias radicais, mas apenas mudando o foco em alguns princípios básicos que são favorecidos pelas ferramentas de IA.
- Proteger e aumentar as pesquisas que não geram visualizações rápidas: pesquisas com palavras-chave comerciais, navegacionais e de “fundo de funil” têm menor probabilidade de desencadear respostas geradas pela IA. Avalie e faça as melhorias possíveis.
- Compreender as conversões da IA: o tráfego do ChatGPT pode ser baixo, mas um clique significa que um utilizador decidiu visitar o seu website, mesmo já tendo as suas respostas. Que informações está a exibir nos resultados da IA?
Os princípios fundamentais de SEO não mudaram: auditorias técnicas; conteúdo rico e que posicione a marca como uma autoridade no tema; melhoria na arquitetura interna do website; uso de Schema Markup e dados estruturados; respostas a questões normalmente feitas pelos utilizadores; silos de conteúdo e cobertura semântica; pesquisas de “zero-clicks”, posicionamento da marca em meios de comunicação relevantes, …
Não mudaram de todo.
(E uma agência 360º como a TEAM LEWIS tem, modéstia à parte, maior facilidade em ajudar neste tipo de projetos projetos)
8. Transparência, ética e (combate à) desinformação
Numa realidade onde a desinformação é crescente e os conteúdos gerados por IA se misturam facilmente com a informação credível, a transparência digital vai ganhar ainda mais importância em 2026. Muitas marcas já encaram este tema como um risco real para a sua reputação, sobretudo porque os utilizadores são cada vez mais desconfiados e exigem maior clareza sobre a origem e a veracidade do que consomem.
À medida que a IA acelera a criação (muitas vezes descontrolada) de conteúdos, cresce também a responsabilidade das empresas em garantir o rigor do que publicam, corrigir os erros rapidamente e comunicar de forma honesta. A ética deixou de ser apenas um princípio e passou a ser um fator competitivo: as marcas transparentes ganham confiança, enquanto que práticas opacas e pouco claras são penalizadas.
Conclusão
À medida que avançamos para 2026, o marketing digital entra numa das fases mais importantes dos últimos anos. Os consumidores estão mais exigentes do que nunca e o ecossistema da Inteligência Artificial continuará a redefinir processos, expectativas e oportunidades. Para as marcas, o desafio irá passar por equilibrar a inovação com autenticidade, a eficiência com a criatividade e os dados com o propósito.

O Rui é Diretor de SEO na TEAM LEWIS e ajuda as marcas a reforçar a sua visibilidade orgânica, a melhorar o seu posicionamento e a gerar tráfego qualificado através de estratégias orientadas por dados.