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LEWIS

Por

LEWIS

Publicado em

September 24, 2019

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Comunicação

A linguagem corporal é a tempestade que antecede o arco-íris – o sinal que é enviado antes das palavras fugirem da boca.


Com que frequência um indivíduo é interrogado acerca das suas competências linguísticas? Provavelmente não muitas vezes, no entanto a questão é bastante pertinente. Ao longo da nossa vida somos direta ou indiretamente avaliados, em ambientes tão variados como na escola, na universidade, numa entrevista de trabalho ou até em conversas quotidianas. Porém, porque razão a linguagem corporal é tão esquecida?

Numa pesquisa rápida no Google, é possível ver um crescimento no interesse das pessoas para saber mais sobre este tema, sendo que a maioria das pesquisas são relacionadas com a curiosidade em perceber os outros.

“Linguagem corporal das mulheres”

“Linguagem corporal dos homens”

…da mentira, de um psicopata, dos cães, dos gatos. Praticamente todo o ser vivo tem os seus mistérios e comportamento muito próprios, e claro que isso é motivo de interesse para quem tenha curiosidade em “decifrar” a comunicação dos outros.

linguagem corporal emocoes

Linguagem Corporal – a comunicação não-verbal

É importante alertar para o facto que a linguagem corporal tanto pode reforçar, como transformar algo que está a ser dito. Para o orador, caso exista um desalinhamento entre as suas crenças e ações, o resultado será uma dissonância cognitiva (termo científico). Consequentemente, isto pode causar uma perda de credibilidade perante a audiência, relativamente à informação expressada.

Na realidade, aqueles que possuem conhecimentos básicos sobre a linguagem corporal, poderão ter o hábito subconsciente de analisar aqueles que os rodeiam. No entanto, o foco inicial deve ser na própria pessoa. O ser humano por natureza, tem tendência em focar-se demasiado nas suas palavras: “O que digo? Quando devo dizê-lo? Como posso projetar confiança, sentido de humor e simpatia, ao mesmo tempo?” mas esquece-se que por vezes a linguagem não-verbal conta muito mais.

Veja então que comportamentos poderá modificar e/ou controlar para que a sua mensagem seja passada da forma correta.

 

1. “Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces” – O sorriso

Como assim? De facto, esta frase é uma citação do escritor brasileiro, Rômulo Marinho, conhecida por ser um palíndromo (palavras ou frases que são iguais mesmo quando são lidas em sentido contrário, da direita para a esquerda).

Mas o que tem isto a ver com o assunto? Já lá vamos.

A melhor forma de fazer com que alguém sinta uma emoção, é senti-la antes. Presumindo que está diante de um público acolhedor, se sorrir para os espetadores, será esperado que estes (eventualmente) lhe sorriam de volta. Mesmo se a demora for desconfortante, o efeito final vai compensar o esforço.

Vários estudos científicos comprovam que o sorriso é um fatores mais atraentes na primeira interação com uma cara desconhecida. Estamos constantemente a ser lembrados do quão benéfico é sorrir nos momentos certos em determinados contextos sociais . Todavia, não é preciso um génio para saber identificar sorrisos falsos. É por isso importante que ao sorrir, este seja um sorriso genuíno. Como referência, basta imaginar o sorriso forçado que se dá aos dentistas quando eles perguntam, “Está tudo a correr bem?”

Tudo isto pertence ao famoso conceito do ramo da Psicologia Comportamental, chamado Mirroring, cujo nome vem da palavra inglesa “mirror” ou “espelho.” Segundo o mirroring, uma pessoa poderá passar a imitar o padrão de discurso, certos gestos e tiques, ou a atitude de outra ao longo de uma interação.

Sendo assim, e respondendo à questão acima, não se esqueça de sorrir e terá um sorriso de volta. É só recordar a frase: “Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces.”

 

2. A Olho Nu ou a Olho Armado? – Contacto Visual

Este ponto é mais traiçoeiro. Principalmente porque o contacto visual tem o poder de captar, e ao mesmo tempo afastar a atenção. Um número significativo de pessoas habituou-se (infelizmente) desde cedo a evitá-lo, incapacitando assim o desenvolvimento da confiança necessária para a formação de uma relação entre o orador e o público. Um bom exercício para adquirir o hábito de fazer contacto visual é: tomar nota mental da cor dos olhos das pessoas ao comunicar com elas.

Por outro lado, em culturas ocidentais, um olhar fixo é indesejado. Ou seja, é essencial encontrar o equilíbrio entre ambos. Desviar o olhar para pausar não tem qualquer problema e deverá até ser feito a cada x segundos, pois caso contrário, o interlocutor corre o risco de intimidar o seu ouvinte.

Há quem diga que olhar para cima e para a esquerda indica uma mentira enquanto que olhar para o canto superior direito implica um engano. Esta ideia partiu de uma teoria maioritariamente desacreditada nos anos setenta, chamada Neuro-Linguistic Programming – um conjunto de técnicas destinadas para ajudar indivíduos a dominarem interações sociais.

No entanto, essa perceções foram abolidas após uma recente pesquisa revelar que informação incorreta estava a ser utilizada em formações, seminários e cursos online, sem qualquer comprovação científica. Caroline Watt da Universidade de Edimburgo, co-autora desse estudo, comentou num comunicado de imprensa, “A nossa pesquisa não apoia a ideia de que certos movimentos oculares são um sinal de mentira” e sugere que se deva abandonar essa abordagem.

 

3. Costas direitas. Ombros para trás. Queixo para cima – A Postura

Para quem já teve aulas de dança, ginástica acrobática ou praticou uma arte semelhante, estas eram as palavras que ouvia recorrentemente em aulas, ensaios e antes de entrar em palco.

Um dos grandes problemas da era moderna é a postura. Fruto da automatização de processos e da necessidade do uso de computadores, muitas pessoas vêm-se obrigadas a passar muitas (demasiadas) horas sentadas no seu local de trabalho. Como consequência desta situação, ninguém pensa realmente na sua postura e o corpo acaba por naturalmente ficar relaxado para a frente. Coluna curvada, ombros para a frente e queixo para baixo não é um bom look para ninguém…a menos que esteja a treinar para o papel de Corcunda de Notre Dame claro.

Como contrariar estes maus hábitos? Cada um sabe o que funciona melhor para si: ioga, meditação, dança ou até mesmo adotando um método (antigo) muito popular entre a nobreza – andar com um livro em cima da cabeça. O importante é fazer algo, pois este é dos pontos mais percetíveis no que toca à imagem de confiança e descontração que um orador pode passar.

 

4. A Parte Que Ninguém Gosta…

Os tiques nervosos. Afinal de contas, se não os podemos controlar não há nada a fazer, certo? Errado.

Alguns não conseguem ficar quietos, outros mexem na cara enquanto falam, piscam repetidamente os olhos, endireitam a roupa, mordem os lábios, encolhem os ombros, franzem as sobrancelhas e por aí fora. Não existe motivo para se sentir envergonhado, contudo se puder controlar os tiques, com ou sem terapia adequada, então é encorajado a tentar fazê-lo.

Por norma, ao ouvir outra pessoa, o ser humano não se irá recordar por muito tempo aquilo que acabou de ouvir, mas sim como esta pessoa o fez sentir. É importante assinalar que caso o orador esteja claramente nervoso e desconfortável, é esta a imagem que vai transmitir para o público e levará a audiência a também sentir-se desta forma.

 

Mais do mesmo, porquê?

Porquê discutir novamente um assunto composto por temas tão familiares? Quando se acrescenta tensão, nervosismo e ansiedade à equação responsável pela composição de uma boa linguagem corporal, é praticamente inevitável que pelo menos um destes quatro fundamentos vá por água abaixo. Isto acontece porque o ser humano tenta combater as emoções desagradáveis e esquece-se do básico.

Gerir ambas em simultâneo é mais complexo do que parece.

Demonstrar estes sentimentos com o corpo antes de serem verbalizados é apenas o instinto. Basta pensar nos jogadores profissionais de poker que tentam esconder os seus pensamentos, utilizando óculos de sol e capuz, para evitar descuidos que possam prejudicá-los no jogo.

Abordar familiares e amigos com uma questão semelhante a, “Já reparaste em algum tique ou hábito que tenho quando falo contigo ou com os outros?” é um começo na direção certa. Receber dedos apontados a estas imperfeições pode doer ligeiramente, mas coloque de lado o orgulho/ego e verá que vai valer a pena.

Para terminar, deixamos aqui um exercício que poderá praticar diariamente ao passar por uma porta: endireite as costas, coloque os ombros para trás para que o tórax fique “aberto”, e… sorria! Com esforço, repetição e prática, este treino vai tornar-se um hábito. Irá deixar de ser algo que requer um estado consciente, e passar a ser feito subconscientemente.

A melhor notícia: é grátis e resulta. Não é necessária a ingestão de suplementos alimentares, pagamentos a treinadores, nem a compra de livros. Melhor que isto? Não há.

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